quinta-feira, 17 de novembro de 2011

UM AMOR PORTUGUÊS


A mulher portuguesa não é feliz quando ama. Para ela, o amor não é lugar de felicidade: ser feliz é ser leve e ela entende que o amor deve ser pesado (não esqueçamos que as mulheres engordam enquanto estão grávidas e continuam a engordar depois de parirem, numa espécie de bonita tentativa para dotarem o seu amor do tamanho do mundo). Quando gosta de ti, a mulher portuguesa sofre. Vê como eu sofro por gostar tanto de ti, diz-nos então, com olhos que nos olham só porque já choraram tudo. Se nós nos rimos, apenas desajeitados para sofrer sem vontade, ela não se importa. És uma criança e ainda não aprendeste a amar, pensa então enquanto inclina a cabeça e une as pálpebras esta mulher; e agora é a tua vez de fazer alguma coisa. Pensas nas tragédias do teu país, ou de outro qualquer - não adianta. É quase um sorriso que te baila na cara, inoportuno e vândalo. O que fazer? Na verdade, acho que é importante não termos medo de estragar o sofrimento desta mulher, tratando-a bem, com beijos e palavras meigas. Por duas razões: 1) a capacidade de sofrer desta mulher é indestrutível; 2) um dia vais sentir saudades de ser amado assim, como agora.

5 comentários:

Joana disse...

o "ne me quitte pas" está a tornar o rui nostálgico...

Rui Costa (msgtorc@hotmail.com) disse...

isto é ficção, menina. ;)

Joana disse...

Se fosse uma holandesa a responder a esse "eu lírico" diria assim: és um velho e ainda não te aperfeiçoaste nas panquecas! (não como sobremesa, panquecas aqui é prato principal)

Rui Costa (msgtorc@hotmail.com) disse...

sei fazer pataniscas de bacalhau

Joana disse...

c'est ne pas une patanisca de bacalhau, diria a holandesa fictícia.