domingo, 9 de outubro de 2011

ALBA



É assustador. Quando a duquesa se volta para nós, a mão do marido, em estado de alerta, é o rosto da apreensão, o véu de pensamentos que nunca conheceremos. Pode um homem (como ele) amar um corpo assim? Pode, claro. Pode gostar da fragilidade de uma nudez decrépita como outros gostam dos temores de uma virgem? Sim, não seria o primeiro. E o que pensa esta mulher de tudo isto? Será que jaz num torpor semi-inconsciente, uma névoa de maconha com cintilações de oxi, metáforas como mangas ou ovos moles pesados em versos de Góngora? Inclino-me a pensar que sim, considerando a “lata” com que encara, ela, cirurgias tão elementarmente obnóxias. Por outro lado, consigo imaginar a duquesa a pensar calmamente para si mesma: “Pensam que o amo ou me encareço como objecto de amor? É jeitoso, o meu novo marido, e eu gosto do seu corpo nu em cima do meu, ou então eu deitada de barriga para baixo e ele de joelhos a entrar-me por trás. E ele também gosta, o suficiente para que o seu pau se torne adequado”. Imaginando-a a pensar isto, o meu susto inicial esvai-se.



6 comentários:

hmbf disse...

realmente a duquesa é um susto

Pat. disse...

Adorei suas mãos em movimento... seus dedos e pulso seguindo para os floreios do ballet espanhol.. encantadora!

Que ela seja muito feliz com ele independente de qualquer coisa... e que seja feliz no pouco de vida que ainda resta, afinal, o que é que importa?


Beijo.

Pat. disse...

O avatar de hmbf parece um desenho do Artista Plástico Português José Bravo Rosa...

Rui Costa disse...

que aproveche hasta el fin. vou procurar o bravo rosa.

Pat. disse...

http://www.youtube.com/watch?v=_kdDr4RX1yQ

Rui Costa disse...

valeu!