É assustador. Quando
a duquesa se volta para nós, a mão do marido, em estado de alerta, é o rosto da
apreensão, o véu de pensamentos que nunca conheceremos. Pode um homem (como
ele) amar um corpo assim? Pode, claro. Pode gostar da fragilidade de uma nudez
decrépita como outros gostam dos temores de uma virgem? Sim, não seria o
primeiro. E o que pensa esta mulher de tudo isto? Será que jaz num torpor
semi-inconsciente, uma névoa de maconha com cintilações de oxi, metáforas como
mangas ou ovos moles pesados em versos de Góngora? Inclino-me a pensar que sim,
considerando a “lata” com que encara, ela, cirurgias tão elementarmente
obnóxias. Por outro lado, consigo imaginar a duquesa a pensar calmamente para
si mesma: “Pensam que o amo ou me encareço como objecto de amor? É jeitoso, o
meu novo marido, e eu gosto do seu corpo nu em cima do meu, ou então eu deitada
de barriga para baixo e ele de joelhos a entrar-me por trás. E ele também
gosta, o suficiente para que o seu pau se torne adequado”. Imaginando-a a
pensar isto, o meu susto inicial esvai-se.
6 comentários:
realmente a duquesa é um susto
Adorei suas mãos em movimento... seus dedos e pulso seguindo para os floreios do ballet espanhol.. encantadora!
Que ela seja muito feliz com ele independente de qualquer coisa... e que seja feliz no pouco de vida que ainda resta, afinal, o que é que importa?
Beijo.
O avatar de hmbf parece um desenho do Artista Plástico Português José Bravo Rosa...
que aproveche hasta el fin. vou procurar o bravo rosa.
http://www.youtube.com/watch?v=_kdDr4RX1yQ
valeu!
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